bula do TUCSON: composição, doses, aplicação e cuidados

Se você procura a bula do TUCSON/TRACTOR, nesta página reunimos as principais informações técnicas do produto de forma organizada, clara e útil para consulta. Aqui você encontra dados sobre composição, registro, classe agronômica, doses, modo de aplicação, plantas daninhas controladas, limitações de uso, segurança, toxicologia e proteção ambiental.

O TUCSON/TRACTOR é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle de plantas infestantes dicotiledôneas de porte herbáceo e semi-arbustivo em pastagens. Seu uso exige atenção técnica, respeito às doses recomendadas e cuidado especial com deriva, limpeza de equipamentos e proteção de culturas sensíveis.

Resumo técnico: o TUCSON/TRACTOR é um herbicida do Grupo O, formulado com picloram e 2,4-D, indicado para aplicação em pós-emergência em pastagens, com uso em aplicação foliar e também em aplicação em tocos, conforme o alvo e o nível de infestação.

Ficha técnica do TUCSON/TRACTOR

InformaçãoDetalhes
Nome comercialTUCSON/TRACTOR
Registro MAPA018707
Classe agronômicaHerbicida seletivo de ação sistêmica
FormulaçãoConcentrado Solúvel (SL)
Grupo HRACGrupo O
Mecanismo de açãoMimetizadores da auxina
Cultura indicadaPastagem
Classificação toxicológicaCategoria 5, produto improvável de causar dano agudo
Periculosidade ambientalClasse III, produto perigoso ao meio ambiente
Intervalo de segurançaUso não alimentar / intervalo não determinado

Composição do TUCSON/TRACTOR

A bula do TUCSON/TRACTOR informa que o produto reúne dois ingredientes ativos herbicidas e outros componentes auxiliares de formulação, sendo voltado ao controle de plantas daninhas de folhas largas e espécies semi-arbustivas em pastagens.

Ingrediente ativoConcentraçãoEquivalente ácidoGrupo químico
Picloram, sal trietanolamina103,00 g/L64,00 g/LÁcido piridinocarboxílico
2,4-D, sal trietanolamina406,00 g/L240,00 g/LÁcido ariloxialcanoico
Trietanolamina201,30 g/LNão se aplicaAmino álcool
Éter monobutílico de etilenoglicol50,00 g/LNão se aplicaÉter glicol
Outros ingredientes609,00 g/LNão se aplicaNão informado

Grupo herbicida e mecanismo de ação

O TUCSON/TRACTOR pertence ao Grupo O de herbicidas, segundo a classificação internacional do HRAC. Seus ingredientes ativos, picloram e 2,4-D, atuam como mimetizadores da auxina, interferindo no crescimento e no desenvolvimento normal das plantas daninhas sensíveis.

Na prática, isso significa que o produto provoca distúrbios no metabolismo dos ácidos nucléicos, aumento da atividade enzimática e destruição do floema devido ao alongamento, turgescência e rompimento das células. As raízes perdem a capacidade de absorver água e nutrientes, o que leva ao esgotamento das reservas de energia e, por fim, à morte da planta daninha.

Manejo de resistência: a bula do TUCSON/TRACTOR recomenda rotação de herbicidas com mecanismos de ação diferentes do Grupo O, além da adoção de outras práticas de manejo de plantas daninhas e acompanhamento de um Engenheiro Agrônomo.

Bula do TUCSON/TRACTOR: culturas, alvos e doses recomendadas

O TUCSON/TRACTOR é indicado para uso em pastagem, com aplicação em pós-emergência das plantas daninhas. A bula recomenda, de modo geral, uma aplicação, utilizando as maiores doses em plantas infestantes adultas, que tenham sofrido várias roçadas ou que já tenham finalizado seu processo de desenvolvimento vegetativo.

Melhores resultados são obtidos quando há umidade no solo e quando as plantas infestantes se encontram em pleno vigor vegetativo.

Aplicação foliar em pastagem

Planta daninhaNome científicoDose
BeldroegaPortulaca oleracea1,0 L/ha
CaruruAmaranthus viridis1,0 L/ha
Losna-brancaParthenium hysterophorus1,0 L/ha
Losna-do-campoAmbrosia elatior1,0 L/ha
Arranha-gatoAcacia plumosa1,5 a 2,0 L/ha
Erva-quente; Poaia-do-campoSpermacoce alata2,0 L/ha
Maria-moleSenecio brasiliensis3,0 L/ha
Malva-preta; MalviscoSidastrum micranthum3,0 L/ha
Malva-roxaSidastrum paniculatum3,0 L/ha
Fedegoso; Mata-pastoSenna occidentalis3,0 L/ha
Malva-veludoWaltheria indica3,0 L/ha
Amendoim-bravoEuphorbia heterophylla3,5 L/ha
BuvaConyza bonariensis3,5 L/ha
CambarazinhoEupatorium laevigatum3,5 L/ha
CapixinguiCroton floribundus3,5 L/ha
CarquejaBaccharis trimera3,5 L/ha
Erva-de-bichoPolygonum punctatum3,5 L/ha
Erva-lancetaSolidago chilensis3,5 L/ha
LeiteiroPeschiera fuchsiaefolia3,5 L/ha
Picão-pretoBidens pilosa3,5 L/ha
SamambaiaPteridium aquilinum3,5 L/ha
TanchagemPlantago major3,5 L/ha
TojoUlex europaeus3,5 L/ha
VassourinhaBaccharis coridifolia3,5 L/ha
Corda-de-violaIpomoea purpurea3,0 a 4,0 L/ha
Joá-bravoSolanum aculeatissimum4,0 L/ha
AgriãozinhoSynedrellopsis grisebachii3,0 a 5,0 L/ha
AguapéEichhornia crassipes3,0 a 5,0 L/ha
Apaga-fogoAlternanthera tenella3,0 a 5,0 L/ha
Assa-peixeVernonia polyanthes3,0 a 5,0 L/ha
GuanxumaSida rhombifolia3,0 a 5,0 L/ha
GuanxumaSida santaremnensis3,0 a 5,0 L/ha
FedegosoSenna obtusifolia3,0 a 5,0 L/ha
Joá-bravoSolanum sisymbriifolium3,0 a 5,0 L/ha
Mata-pastoEupatorium maximilianii3,0 a 5,0 L/ha
Guanxuma-brancaSida glaziovii3,0 a 5,0 L/ha
CheirosaHyptis suaveolens3,0 a 5,0 L/ha
Gervão-brancoCroton glandulosus3,0 a 5,0 L/ha
JurubebaSolanum paniculatum3,0 a 5,0 L/ha
Malva-brancaSida cordifolia4,0 a 5,0 L/ha
Amor-de-cunhã; CajuçaraSolanum rugosum6,0 L/ha
Assa-peixe-roxoVernonia westiniana6,0 L/ha
LobeiraSolanum lycocarpum6,0 L/ha
Vassourinha-botãoSpermacoce verticillata6,0 L/ha

Época de aplicação: aplicar diretamente sobre a folhagem das plantas infestantes. Em aplicações em pós-emergência em área total, deve-se utilizar um volume de calda que proporcione o adequado molhamento foliar.

Número máximo de aplicações: 1

Volume de calda:

  • Tratorizado: 200 a 300 L/ha
  • Costal: 200 a 300 L/ha
  • Aéreo: 50 L/ha

Observação importante: no caso de pastagens tratadas, deve-se permitir que o capim se recupere antes do pasto ser aberto ao gado. Assim, a partir do início da aplicação o pasto deve ser vedado ao gado pelo tempo necessário até sua recuperação. Essa é uma medida que visa evitar o consumo de plantas tóxicas pelos animais, que possivelmente existem no pasto e em função do tratamento tornam-se mais atrativas aos animais.

Aplicação em tocos

Planta daninhaNome científicoDose
Assa-peixe-roxoVernonia westiniana3,0 a 4,0% v/v
Unha-de-vacaBauhinia variegata3,0 a 4,0% v/v
Unha-de-boiBauhinia divaricata3,0 a 4,0% v/v
Jacarandá-de-espinhoMachaerium aculeatum3,0 a 4,0% v/v
LobeiraSolanum lycocarpum3,0 a 4,0% v/v
RosetaRandia armata3,0 a 4,0% v/v
LeiteiroPeschiera fuchsiaefolia4,0% v/v
AroeirinhaSchinus terebinthifolius4,0% v/v
Arranha-gatoAcacia plumosa4,0% v/v
Unha-de-gatoAcacia paniculata4,0% v/v
Espinho-agulhaBarnadesia rosea4,0% v/v

Época de aplicação: aplicar em qualquer época do ano, aplicando-se até o ponto de escorrimento da calda no toco cortado, podendo-se molhar o solo próximo ao toco recém-cortado. Deve-se fazer um tratamento e fazer um repasse em caso de rebrota. Para o repasse, respeitar a época indicada anteriormente, sendo preferível refazer o corte e reaplicar o produto, em lugar de aplicar nas poucas folhas de rebrota. Isso porque essa área foliar de rebrota é insuficiente para absorver a quantidade de herbicida necessária.

Volume de calda:

  • Tratorizado: 200 a 300 L/ha
  • Costal: 200 a 300 L/ha

Número máximo de aplicações: 1

Relação entre dose comercial e ingredientes ativos

Cada litro do TUCSON/TRACTOR contém 103,0 g/L de picloram em sal de trietanolamina, correspondendo a 64,0 g/L do equivalente ácido de picloram, e 406,0 g/L de 2,4-diclorofenoxiacético em sal de trietanolamina, correspondendo a 240,0 g/L do equivalente ácido de 2,4-D.

Dose comercial (L/ha)Picloram sal (kg/ha)2,4-D sal (kg/ha)Picloram ácido (kg/ha)2,4-D ácido (kg/ha)
1,00,1030,4060,0640,240
1,50,1550,6090,0960,360
2,00,2060,8120,1280,480
3,00,3091,2180,1920,720
3,50,3611,4210,2240,840
4,00,4121,6240,2560,960
5,00,5152,0300,3201,200
6,00,6182,4360,3841,440

Modo e equipamentos de aplicação

Segundo a bula do TUCSON/TRACTOR, o produto deve ser diluído em água e aplicado por via terrestre, através de pulverizadores tratorizados com barra, autopropelidos, costais manuais ou motorizados, e por via aérea conforme recomendações para a cultura.

É proibida a aplicação tratorizada com turbina de fluxo de ar.

O volume de calda pode variar em função da área efetivamente tratada, do porte e da densidade das plantas infestantes, devendo ser adequado ao tipo de equipamento e podendo ser alterado conforme as especificações técnicas do pulverizador.

Preparo da calda

Ao preparar a calda, devem ser utilizados os EPIs indicados para esse fim. Antes do preparo, é necessário verificar se o equipamento está limpo, bem conservado, regulado e em condições adequadas para realizar a pulverização sem causar riscos à cultura, ao aplicador e ao meio ambiente.

Para pulverizadores costais manuais ou motorizados sem agitador, a bula recomenda pulverizador de 20 litros, preferencialmente trabalhando com 10 litros por abastecimento para reduzir o peso e facilitar o trabalho.

Para pulverizadores tratorizados de barra ou autopropelidos, a orientação é abastecer com água limpa até 3/4 da capacidade, ligar o agitador, adicionar o produto conforme a dose recomendada e completar o volume com água, mantendo a agitação durante toda a aplicação.

Aplicação terrestre

Na aplicação costal ou tratorizada, recomenda-se boa cobertura das plantas daninhas com gotas médias a grossas, ou grossas a extremamente grossas, conforme o tipo de alvo e a tecnologia empregada. Em aplicações dirigidas sobre folhas ou tronco, deve-se pulverizar até o ponto de escorrimento.

Para pulverizadores tratorizados de barra ou autopropelidos, a bula recomenda:

  • Classe de gotas: grossa a muito grossa
  • Pontas de pulverização: preferencialmente tipo leque, inclusive com indução de ar
  • Altura da barra: não ultrapassar 50 cm em relação ao alvo
  • Espaçamento entre pontas: não ultrapassar 50 cm
  • Volume de calda: 200 a 300 L/ha
  • Pressão: 30 a 70 psi

Aplicação aérea

A aplicação aérea deve ser realizada com técnicas de redução de deriva e boas práticas agrícolas, utilizando aeronaves devidamente regulamentadas e equipadas com barras apropriadas. O objetivo é assegurar distribuição uniforme da calda e boa cobertura do alvo.

  • Classe de gotas: grossa a extremamente grossa
  • Pontas de pulverização: preferencialmente jato cônico vazio ou jato sólido, com ângulo de 0° na direção do fluxo de ar
  • Altura de voo: 3 a 4 metros em relação ao topo das plantas ou ao alvo
  • Volume de calda: 50 L/ha ou conforme o tipo de aeronave utilizada

Atenção: durante a aplicação, deve-se resguardar faixa de segurança adequada para culturas sensíveis ou marginais a cursos d’água, sempre com orientação de um Engenheiro Agrônomo.

Condições climáticas recomendadas para aplicação

Para obter melhor desempenho e reduzir perdas por evaporação e deriva, a bula do TUCSON/TRACTOR recomenda aplicação em condições climáticas adequadas:

ParâmetroRecomendação
TemperaturaAbaixo de 30°C
Umidade relativa do arAcima de 50%
Velocidade do ventoEntre 3 e 10 km/h

Em condições de clima quente e seco, recomenda-se ajustar o equipamento para produzir gotas maiores, reduzindo o efeito da evaporação. Também se deve evitar aplicações em situação de inversão térmica.

Gerenciamento de deriva

A bula do TUCSON/TRACTOR destaca que o potencial de deriva depende da interação entre fatores meteorológicos e características do equipamento. O tamanho das gotas é um dos elementos mais importantes nesse processo, e a recomendação é trabalhar sempre com o maior diâmetro de gota possível sem comprometer a eficiência da cobertura.

  • Não permitir que o produto atinja culturas vizinhas, áreas habitadas, corpos d’água, criações e áreas de preservação
  • Evitar aplicação com rajadas de vento ou ausência total de vento
  • Usar pontas de maior vazão em vez de aumentar excessivamente a pressão
  • Observar sinais de inversão térmica, como neblina ao nível do solo ou fumaça com movimento lateral

Lavagem do equipamento de aplicação

Imediatamente após a aplicação do TUCSON/TRACTOR, deve-se proceder à limpeza completa do equipamento utilizado. Essa medida é essencial para evitar contaminação cruzada, especialmente em aplicações futuras em culturas sensíveis.

Os resíduos da limpeza devem ser descartados conforme a legislação municipal, estadual e federal vigente. A bula orienta ainda que o equipamento não seja lavado próximo a nascentes, fontes de água ou plantas úteis.

Intervalo de segurança e reentrada

Intervalo de segurança: para pastagem, a bula informa uso não alimentar, com intervalo de segurança não determinado.

Intervalo de reentrada: a bula traz tabela específica para pastagem contendo 2,4-D:

  • Atividade de 2 horas: reentrada após 5 dias
  • Atividade de 8 horas: reentrada após 23 dias
  • Aplicações individuais nas plantas que se quer eliminar: reentrada após 24 horas

Quando houver necessidade de reentrada antes dos intervalos definidos, o trabalhador deve utilizar vestimenta simples, calça e blusa de manga longa, e também EPI com vestimenta hidrorrepelente e luvas, conforme orientação da bula.

Medidas de mitigação para residentes e transeuntes

A bula do TUCSON/TRACTOR exige a manutenção de bordadura mínima de 10 metros livres na aplicação costal e tratorizada de produtos formulados contendo 2,4-D, sempre que houver povoações, moradias ou escolas isoladas a menos de 500 metros do limite externo da plantação.

Essa bordadura deve começar no limite externo da plantação em direção ao interior da área tratada.

Limitações de uso do TUCSON/TRACTOR

A bula do TUCSON/TRACTOR apresenta limitações importantes que devem ser observadas para reduzir riscos agronômicos, ocupacionais e ambientais.

  • Uso exclusivamente agrícola
  • É proibida a aplicação tratorizada com turbina de fluxo de ar
  • Para pastagens, manter intervalo de 7 dias entre a última aplicação e o pastoreio
  • Na aplicação tratorizada, as atividades de mistura, abastecimento e aplicação não podem ser realizadas pelo mesmo indivíduo
  • É obrigatória bordadura mínima de 10 metros em aplicações costais e tratorizadas quando houver áreas habitadas próximas
  • São sensíveis ao produto culturas como algodão, tomate, batata, feijão, soja, café, eucalipto, hortaliças, flores e outras espécies úteis sensíveis a herbicidas hormonais
  • Após aplicação em área total, o plantio de espécies sensíveis deve ser feito somente após 2 a 3 anos da última aplicação
  • Não utilizar o mesmo pulverizador em culturas sensíveis sem limpeza rigorosa
  • Não utilizar esterco de curral de animais que tenham se alimentado de pastagem tratada até 15 dias após a aplicação para adubação de culturas sensíveis
  • Segundo a bula, o produto não é fitotóxico às pastagens nas dosagens recomendadas

Equipamentos de proteção individual, EPIs

Embora o produto esteja classificado toxicologicamente como Categoria 5, a bula exige o uso de EPIs durante o manuseio, preparo da calda, aplicação, limpeza dos equipamentos e descarte de embalagens.

Entre os equipamentos citados estão:

  • Macacão ou calça e blusa com tratamento hidrorrepelente
  • Botas de borracha
  • Avental impermeável
  • Máscara facial ou respirador
  • Viseira facial ou óculos de segurança com proteção lateral
  • Touca ou boné árabe
  • Luvas de proteção contra produtos químicos

A bula também orienta a ordem correta para vestir e retirar os EPIs, além da necessidade de manutenção, limpeza e descarte conforme orientação do fabricante.

Primeiros socorros

Em caso de contato acidental ou suspeita de intoxicação, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de emergência levando a embalagem, o rótulo, a bula, o folheto informativo e o receituário agronômico.

  • Ingestão: não provocar vômito, exceto quando houver indicação médica. Caso o vômito ocorra naturalmente, manter a pessoa deitada de lado. Não dar nada para beber ou comer.
  • Olhos: lavar com muita água corrente por pelo menos 15 minutos. O produto provoca irritação ocular grave. Caso use lente de contato, retirá-la.
  • Pele: retirar roupas e acessórios contaminados e lavar a pele com muita água corrente e sabão neutro por pelo menos 15 minutos.
  • Inalação: levar a pessoa para local aberto e ventilado.

Disque-Intoxicação: 0800-722-6001
Toxiclin: 0800-014-1149
Sumitomo Chemical Brasil: (85) 4011-1000
SAC: 0800-725-4011

Informações toxicológicas e médicas

A bula do TUCSON/TRACTOR informa que as vias de exposição incluem dérmica, inalatória, oral e ocular. O diagnóstico deve considerar confirmação da exposição e quadro clínico compatível.

Antídoto: não existe antídoto específico. O tratamento deve ser sintomático e de suporte, de acordo com o quadro clínico apresentado.

Toxicocinética resumida

Picloram: é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, lentamente absorvido pela pele e excretado majoritariamente pela urina, com tempo de excreção entre 24 e 48 horas. Não se acumula significativamente em tecidos adiposos.

2,4-D: é excretado principalmente pela urina, entre 84 e 94% da dose administrada, com eliminação fecal como via secundária. Apenas pequena fração permanece nos tecidos após 48 horas.

Trietanolamina: apresenta rápida absorção gastrointestinal e também absorção dérmica relevante. A excreção ocorre principalmente pela urina, em grande parte como trietanolamina inalterada.

Éter monobutílico de etilenoglicol: em humanos, é metabolizado principalmente a ácido 2-butoxiacético. A eliminação pode ocorrer por via urinária, com meia-vida relativamente curta após exposição.

Toxicodinâmica e sinais clínicos

Os mecanismos de toxicidade em humanos não são completamente conhecidos para todos os componentes. Entre os possíveis sinais e sintomas descritos na bula estão irritação ocular, náuseas, vômitos, irritação respiratória, alterações musculares e, em intoxicações mais severas, comprometimento renal, respiratório, cardíaco e metabólico, especialmente relacionado ao 2,4-D.

A bula também informa que o produto pode ser nocivo se ingerido, em contato com a pele ou se inalado, além de provocar irritação ocular grave.

Efeitos agudos e crônicos em animais de laboratório

A bula do TUCSON/TRACTOR traz dados de toxicidade aguda e crônica obtidos em estudos com animais de laboratório.

Efeitos agudos do produto formulado

  • DL50 oral em ratos: superior a 2000 mg/kg p.c.
  • DL50 cutânea em ratos: superior a 4000 mg/kg p.c.
  • CL50 inalatória em ratos: não determinada nas condições do teste
  • Corrosão ou irritação cutânea em coelhos: não considerado irritante para a pele
  • Corrosão ou irritação ocular em coelhos: considerado irritante ocular, com irite, hiperemia e edema reversíveis
  • Sensibilização cutânea em cobaias: não sensibilizante dérmico
  • Mutagenicidade: não observado efeito mutagênico

Efeitos crônicos dos componentes

Picloram: estudos crônicos não revelaram sinais clínicos relevantes de toxicidade em animais e sugerem ausência de potencial carcinogênico, teratogênico ou de distúrbios reprodutivos.

2,4-D: estudos em ratos alimentados por longos períodos com cerca de 50 mg/kg/dia não demonstraram efeitos adversos relevantes. Problemas relacionados à toxicidade reprodutiva são considerados improváveis em humanos sob circunstâncias normais.

Trietanolamina: não houve aumento de incidência de câncer em trabalhadores expostos, e as evidências em animais são inconsistentes. Não foi observada evidência de aumento de aborto ou defeitos congênitos em animais expostos durante a gestação.

Éter monobutílico de etilenoglicol: o principal efeito é hematotoxicidade, especialmente em ratos. Em concentrações mais elevadas, também podem ocorrer efeitos adversos em sistema nervoso central, rins e fígado.

Proteção do meio ambiente

A bula do TUCSON/TRACTOR classifica o produto como perigoso ao meio ambiente, Classe III. Além disso, informa que se trata de um produto altamente persistente e altamente móvel, com alto potencial de deslocamento no solo e risco de atingir águas subterrâneas.

  • Evitar contaminação ambiental e preservar a natureza
  • Não utilizar equipamentos com vazamentos
  • Não aplicar com ventos fortes ou nas horas mais quentes
  • Aplicar somente as doses recomendadas
  • Não lavar embalagens ou equipamentos em lagos, fontes, rios e demais corpos d’água
  • A destinação inadequada de embalagens e restos de produto pode contaminar solo, água e ar

Restrições para aplicação aérea

  • Não executar aplicação aérea em áreas situadas a menos de 500 metros de povoação e de mananciais de captação de água para abastecimento público
  • Não executar aplicação aérea a menos de 250 metros de mananciais de água, moradias isoladas, agrupamentos de animais e vegetação suscetível

Armazenamento do produto

O TUCSON/TRACTOR deve ser armazenado com segurança, em sua embalagem original sempre fechada, em local exclusivo para produtos tóxicos e isolado de alimentos, bebidas, rações e outros materiais.

  • Local de alvenaria ou material não combustível
  • Ambiente ventilado, coberto e com piso impermeável
  • Placa de advertência com os dizeres “CUIDADO VENENO”
  • Local trancado e fora do alcance de pessoas não autorizadas, especialmente crianças
  • Disponibilidade de embalagens adequadas para recolher vazamentos ou embalagens rompidas

Em armazéns, devem ser observadas as instruções constantes na NBR 9843 da ABNT, além das legislações estadual e municipal.

Procedimentos em caso de acidentes

Em caso de acidente, a bula orienta isolar e sinalizar a área contaminada, contatar as autoridades competentes e comunicar a empresa registrante.

Telefone da empresa: (85) 4011-1000
AMBIPAR: 0800-720-8000

O atendimento da ocorrência deve ser feito com uso de EPI adequado, como macacão impermeável, luvas, botas de PVC, óculos de proteção e máscara com filtros.

Em caso de derrame

  • Piso pavimentado: absorver com serragem ou areia, recolher com pá e colocar em recipiente lacrado e identificado
  • Solo: retirar as camadas de terra contaminada até atingir solo não contaminado e acondicionar em recipiente apropriado
  • Corpos d’água: interromper imediatamente a captação para consumo humano ou animal e contatar o órgão ambiental e o centro de emergência da empresa

Em caso de incêndio, utilizar extintores de água em forma de neblina, CO2 ou pó químico, sempre ficando a favor do vento para evitar intoxicação.

Lavagem, devolução, transporte e destinação de embalagens

A bula do TUCSON/TRACTOR detalha procedimentos específicos para diferentes tipos de embalagem, incluindo flexível, rígida lavável, rígida não lavável e secundária não contaminada.

Embalagem flexível

Essa embalagem não pode ser lavada. Deve ser armazenada em local coberto, ventilado, ao abrigo de chuva e com piso impermeável, separadamente das lavadas, em sacos plásticos transparentes devidamente identificados e com lacre.

Embalagem rígida lavável

Essa embalagem deve ser submetida à tríplice lavagem ou à lavagem sob pressão imediatamente após o esvaziamento.

Tríplice lavagem:

  1. Esvaziar completamente o conteúdo no tanque do pulverizador e manter a embalagem na posição vertical por 30 segundos
  2. Adicionar água limpa até um quarto do volume da embalagem
  3. Tampar bem e agitar por 30 segundos
  4. Despejar a água de lavagem no tanque
  5. Repetir o processo três vezes
  6. Inutilizar a embalagem perfurando o fundo

Embalagem rígida não lavável

Essa embalagem não pode ser lavada. Deve ser armazenada com tampa, separada das embalagens lavadas e manuseada com luvas.

Embalagem secundária não contaminada

Também não pode ser lavada e sua devolução é obrigatória ao estabelecimento onde o produto foi adquirido ou ao local indicado na nota fiscal.

Transporte e destinação final

  • As embalagens vazias não podem ser transportadas com alimentos, bebidas, medicamentos, rações, animais e pessoas
  • A destinação final das embalagens, após devolução, só pode ser realizada pela empresa registrante ou por empresas legalmente autorizadas
  • É proibida ao usuário a reutilização, reciclagem, fracionamento ou reembalagem das embalagens vazias
  • Produtos impróprios para uso ou em desuso devem ser devolvidos conforme orientação do registrante
  • A desativação do produto é feita por incineração em fornos apropriados, com controle de gases e aprovação do órgão ambiental competente

Restrições por legislação local

A bula do TUCSON/TRACTOR informa que o profissional responsável deve verificar as restrições decorrentes da legislação municipal, estadual e federal antes de recomendar o produto, confirmando se o uso, a cultura, o alvo e o modo de aplicação são permitidos localmente.

Conclusão

A bula do TUCSON/TRACTOR mostra que o produto é uma ferramenta importante para o manejo de plantas daninhas em pastagens, especialmente em situações com presença de espécies dicotiledôneas herbáceas, semi-arbustivas e plantas de difícil controle. Ao mesmo tempo, a bula deixa claro que seu uso exige responsabilidade técnica, tecnologia de aplicação adequada, limpeza rigorosa dos equipamentos e atenção especial à proteção ambiental e às culturas sensíveis.

Em sistemas de pastagem, a escolha correta da dose, do tipo de aplicação e do momento de entrada é decisiva para o resultado final. Por isso, além de consultar a bula do TUCSON/TRACTOR, é indispensável considerar as condições reais da área, o estádio das plantas daninhas, o histórico da pastagem e o risco de deriva sobre culturas próximas.

Aviso importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a leitura da bula oficial, do rótulo e da receita agronômica. Antes de utilizar o produto, procure um profissional habilitado, leia a bula oficial na íntegra e siga rigorosamente suas orientações técnicas.

Nota editorial: as informações desta página foram organizadas para facilitar a consulta do produtor, técnico e estudante, mas a recomendação agronômica deve sempre ser individualizada e feita por profissional legalmente habilitado.

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